domingo, 18 de julho de 2010

NÃUN, FIU

Nãu, fiu
Nãun dá
Nóis nãun temu maiz dinhêru

É, nãun temu
Nãun tein
Dissérum na tevê
Qui u Braziu
Nãun tein maiz dinhêru
Pra investí in educassãum

Intãun, meu fiu
Ti confórma
Tauvêiz um dia
Tu vai aprendê
Cuméqui s'iscrévi
Educassãun
Purquí eu, meu fiu
Nãun aprendí ainda nãun.

EU APARECI NA TEVÊ

Eu apareci na tevê
Eu estava lá todos os dias
Naquele mesmo canal
Fazendo nada de mais

E por isso sou famoso
E todos me conhecem
E todos me amam
E todos me adoram

Sou um ídolo para muitos
Sou o namorado dos sonhos para muitas
Todos querem falar comigo
Tirar fotos comigo
Querem autógrafos, abraços, beijos, apertos de mão
Ao menos um minuto de atenção
Deste semideus que tornei-me eu

Eu era ontem o mesmo que hoje sou
Mas par'as pessoas
Não sou eu mais hoje o mesmo

Sou hoje o rei do mundo
O ídolo da nação!
Pelo menos é o que me dizem...

SE JUNTOS FICAREMOS NÃO SEI

Se juntos ficaremos não sei
Mas sei que te quero

Quero a tua boca
Quero os teus cabelos
Quero os teus seios

Quero-te inteira
Só p'ra mim.

OS ALVOS MONTES DO CORPO TEU

Os alvos montes
Do corpo teu
Queria eu escalar

Pelos sinuosos caminhos
Do corpo teu
Queria eu me perder.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

VEIM CÁ, TIR'ESSA BLUSA

Veim cá
Tir'essa blusa
Tir'essi sutiã
I deita di peito nu
Nu meu peitu nu

U restu
Dexa qui tiru eu

I nu meu corpu nu
Istará a beleza tua
Interamente nua.

BOCA MACIA COMO MACIAS SÃO AS NUVENS CELESTES

Boca macia
Como macias são
As nuvens celestes

Peito formoso
Chamador de bocas

Quadris d'enlouquecer
Do mund'homem qualquer

Beij'a minha boca
E sonha comigo
O sonho mesmo que eu

Sonha essa noite
Nos braços meus

Trança hoje
As pernas tuas
Nas pernas minhas.

AH, MULHER, NÃO OLH'ASSIM

Ah, mulher
Não olh'assim
P'r'os olhos meus

Não, mulher
Não dança
Deste jeito, não

Não danç'assim
Não mexe assim
Que saio eu de mim

Ou vem cá
Vem cá
Vem correndo
Te atira
Na cama minha.

QUIR-IA QUI U-S VENTU-S

Qu-ir-ia
Qui u-s ventu-s
T-iv-éssim
Nus lev-a-du apenas
Para bel-a-s praia-s

Mas mud-ar-am
I nus lev-ar-am par-as rocha-s
Culpa d-u ventu
Ou du mar-inh-eir-u?

QUER-IA QUE O-S VENT-O-S

Quer-ia
Que o-s vent-o-s
T-ive-ssem
Nos lev-ad-o apenas
Para bel-a-s praia-s

Mas mud-a-r-am
E lev-a-r-am-nos
Par as rocha-s
Culpa d-o vento
Ou do mar-inh-eir-o?

ESCREVER PARA FAMOSO TORNAR-SE

Escrever
Para famoso tornar-se
Eis uma possibilidade
Mas eis um'armadilha

Quando faz-se algo
Almejando fama apenas
Almejando reconhecimento
Muito pode-se perder

Escrever apenas o que querem ler
Da forma com querem que s'escreva
Não deixa de ser um mentir
Um mentir e um enganar
A si mesmo e aos outros

Afinal de contas
Quantos famosos há por aí
Que são muito conhecidos
E muito admirados
Mas que tem obras ruins?

E, não raro, artistas muitos
Tiveram em vida su'obra desprezada
Receberam amargas críticas
E mais tard'então
Reconhecidos foram
Como geniais
Revolucionários

Agradar?
A quem?
Para quê?

Ao considerar o escrever
Uma espécie, ou um gênero de arte
Não admitir podemos
A sujeição à crítica

Dancemos não
Conforme a música
Pela crítica repetida

Dancemos sim
A música
Por nós criada

Não ocupemo-nos
Em apenas interpretar
E sempre as músicas prontas
Repetidamente tocar

Ocupemo-nos pois
D'algo mais nobre
Ocupemo-nos logo e já
Do criar e transformar
E construir
E experimentar
E arriscar
Com a língua nossa

Com a língua nossa
Preferencialmente
Mas não exclusivamente

Com a portuguesa-brasileira nossa
Pois ela é nossa
Dentro dela vivemos
E não noutra

Construamos
Desconstruamos
Transformemos
Experimentemos

A ganhar tem apenas
A língua nossa
A língoa nossa
A língoa nóça
Alim guá-nó ça

Perdão
Nobres críticos

Perdão
Por convosco
Nem-1 pouco
M'importar...

terça-feira, 13 de julho de 2010

CABELOS DE ANÊMONA

Ah, quão belos
São os lábios teus!

Teu sorriso
É colar de pérolas

Teus olhos
Redemoinhos d'água
Donde sopra tua alma

Teus cabelos de anêmona
Com os ventos dançam

E quão felizes são os ventos!
Por com teus cabelos
Poderem dançar.

domingo, 11 de julho de 2010

SILENCIOSA MURMURA A BRISA

Silenciosa murmura a brisa
Por sobre o meu corpo escorre
Nasce numa janela
E noutra vai-se esconder

Pessoas na rua gritam
A dor d’estarem sozinhas
De ao seu lado alguém não terem
De não mais verem estrelas
No céu a brilhar.

QUERIA QUE OS VENTOS

Queria que os ventos
Tivessem nos levado apenas
Para belas praias

Mas mudaram
E nos levaram par'as rochas
Culpa do vento
Ou do marinheiro?

NOS TEUS OLHOS ME PERDI

Nos teus olhos me perdi
Já no primeiro dia
Em que te vi

Na tua boca quis mergulhar
Qual numa ilha perdida
Para os corais te mostrar.

NOS TEUS OLHOS VEJ'O MAR

Nos teus olhos
Vej'o mar
Vej'o sol
Vejo a lua
E as estrelas

Nos teu olhos
Vejo todos os milagres do mundo
Vejo a fauna e a flora
Vejo constelações e galáxias
Vejo golfinhos saltadores
Vejo tartarugas marinhas.

DONNE E FORI

La vita è fatta di cose e di persone
I giardini sono fatti di fiori

Ma non solo i giardini
Sono pieni di fiori
Le vie sono piene di fiori
Le scuole sono piene di fiori
Le spiaggie sono piene di fiori

Tutti i luoghi sono nella verità
Pieni di fiori
Fiori che sono donne
Donne che sono fiori.

SILÊNCIO, O SOM DO VENTO NAS ÁRVORES

Silêncio
O som do vento nas árvores
O som das ondas quebrando no mar
E a respiração tua

Pés descalços n'areia
Alaranjado o sol
Garças alvas

E um outro sol
Brilha nos teus olhos
Brilha no sorriso teu
Nasce ele no teu coração.

ONTEM VISITOU-ME A ESPERANÇA

Ontem visitou-me a esperança
Fez de mim uma criança

Deu-me um forte abraço
E cantou-me uma canção

E junto com a'reia
Levou tristeza e solidão.

O AMOR É MANHÃ DE DOMINGO

O amor é manhã de domingo
Numa praia paradisíaca

Mas é também pedrada no peito
Em meio a uma tempestade.

PERDÃO SE POR MINHA BOCA

Perdão se por minha boca
Não fiz ecoar aos quatro ventos
O amor que m'inundava
O amor que era discreto
O amor que parecia segredo

Perdão se meus poemas
Não correram as bocas
E procuraram apenas
Os ouvidos teus.

VI O SOL AMANHECER

Vi o sol amanhecer
Senti o sol arder
E vi o sol morrer
Nos olhos dela

Vi a lava de vulcões
Senti o corpo aquecer
E quis inteiro me perder
Nos lábios dela.

QUERIA TODAS AS PRAIAS CORRER

Queria todas as praias correr
Par’as mais belas paisagens
Poder-te mostrar

Queria ter um veleiro
Para pelo mundo inteiro
Ao teu lado viajar

Queria ser uma criança
Para poder te olhar
E simplesmente te abraçar.

CONHECI HOJE UMA MULHER

Conheci hoje uma mulher
Pela qual estou já apaixonado

Linda
Como um riacho que corre na mata
Como as pequeninas flores do campo

Foi ela para mim
Uma cachoeira de felicidade
Uma chuva de amor

Nos olhos dela
Vi tod’a luz
Daquele coração.

SÓ MAIS UM DIA

Só mais um dia
Falar contigo eu queria
Para embrenhar-me nas matas
Parra correr pelos campos
Para nadar pelos rios
Que nascem em teu coração.

VI NOS OMBROS TEUS

Vi nos ombros teus
A doçura das dunas
Qu’embelezam a praia

Vi nos olhos teus
Uma lagoa de águas calmas
E de muitos peixes coloridos

Vi na tua boca
Os róseos dedos d’aurora
Acenando ao amanhecer

E em teu coração
Vi a paz do céu azul
Senti a brisa leve no rosto
E senti a vida me abraçar.

MEU CORAÇÃO ONTEM FOI TEU

Meu coração ontem foi teu
Meu peito ontem foi teu
Meus olhos ontem foram só teus
Minha atenção foi só tua
Meu carinho foi só teu

Queria a minha boca
Ter também sido tua
Queriam as minhas mãos
Ter sido da tua cintura.

O TEU SORRISO BRILHA MAIS DO QUE A LUA

O teu sorriso
Brilha mais do que a lua
Ilumina mais que o sol

Nos teus cabelos
Cabe toda a noite

Os teus olhos
São duas pérolas negras.

GOSTO DOS BEIJOS

Gosto dos beijos
Dos abraços
E dos carinhos teus

Gosto d’estar contigo
De te ouvir falar
De te ver sorrir.

QUERO DAR-TE A MÃO

Quero dar-te a mão
E palavra nenhuma falar

Quero tocar o teu rosto
E suavemente por ele
Com meus dedos deslizar

Quero sentir no meu rosto
O perfume e as carícias
Dos teus cabelos de sol

Quero sentir minha face
Tocar a tua face
E nem uma palavra falar

Quero te abraçar forte
E sentir os teus braços
Também a me abraçar

Quero com os meus lábios
Tocar os lábios teus
E contigo voar pelo céu.

SÓ SEI DESTE JEITO TE AMAR

Só sei deste jeito amar
Só sei amar fazendo poemas de amor
Trazendo flores par’amada
Tocando-a como se fosse sagrada

Só sei deste modo amar
Romântico, sonhador
Arriscado, ingênuo
Como criança
E como homem

Só sei desta maneir’amar
E te quero fazer sentir
A mais amada mulher
Dentre todas as mulheres
Que no mundo amadas são

Só te quero amar.

COMO FORAM OS PÁSSAROS

Como foram os pássaros
Feitos para voar
Assim foste tu
Feita para ser amada.

N'AMOROSA UNIÃO

N'amorosa união
Do corpo do homem
Ao da mulher
Nasce a compeensão da vida
Nasce o amor pela vida.

SEM AMOR O HOMEM É CORPO FRIO

Sem amor
O homem é corpo frio
Pedra dura insensível

O amor duma mulher
Torna a alma do homem um sol
E faz o mundo inteiro s’iluminar

Sem amar e ser amado
O homem é escuridão e morte
E nada em sua vida sentido faz
Sua vida é abismo
Tempestade assustadora

Mas quando por mulher amado é
Tudo nele s’ilumina
Seus olhos tornam-se sóis
Seu sorriso traduz su’alegria de viver
E su’alma irradia tod’o amor
Que em su’alma mora

O CORPO DA MULHER

O corpo da mulher
Obra máxima da divina criação
Transporta o homem
Ao supremo sentir
À suprema compreensão
Do que é a vida.

A VIDA MINHA E O MEU PENSAR

A vida minha
E o meu pensar
É obra duma inteligência
E por isso tem razão de ser.

AO TINGIR-SE DE VERMELHO O CÉU

Ao tingir-se de vermelho o céu
Ao despontar d’aurora
Desvela-se o milagre da vida

A vida e tud’o que há é milagre
O vento a fazer dançar as árvores
A fria luz que pelo céu se derrama
O cantar dos pássaros dormidos
Tudo é milagre infinito

COMO É BOM EM MEIO ESTAR

Como é bom em meio estar
A uma numerosa família
Que nos ama e isso sabe demonstrar
Que nos trata bem
Aconteça o que acontecer
Que sabe perdoar
Que sabe chorar de alegria ao rever
Que sabe abraçar forte
E olhar com amor
Tanto amor que se nota
Simplesmente ao olhar

Como é bom estar com pessoas
Que nos façam felizes
Que nos façam sentir bem
Que nos façam não sentir medo
De demostrar
O que pensamos ou sentimos
Que nos façam sentir livres
Para revelar, para demonstrar
Noss’alegria ou nossa tristeza
Nossa dor e nosso sofrimento

Como é bom estar
Com pessoas que sabem falar
E que sabem ouvir
Que sabem conversar.

PAR'ESTAR COM ALGUÉM

Par'estar com alguém
Não basta gostar
Não basta amar
Ou querer bem
É preciso s’esforçar
Par’agradar ao outro
Para fazê-lo sentir-se bem

Não pode-se fazer
Apenas o que se fazer quer

Não pode-se falar
Apenas quando se falar quer

Precisa-se antes de tudo
Respeitar o outro
E tentar, ao menos, não fazer
O que o desagrada.

CADA DIA QUE SOZINHO PASSO

Cada dia que sozinho passo
Faz-me melhor compreender
O valor das pessoas
O valor de uma companhia
O valor dos amigos
O valor da família

Para viver sozinhos
Não fomos nós criados
Definitivamente

S’estou feliz
Não tenho ninguém par’abraçar
Não tenho ninguém par’olhar
Para alegrar e fazer feliz
Para conversar
Para brincar

Não tenho ninguém
P'ra nada.

OS PASSARINHOS CANTAM ALEGRES

Os passarinhos cantam alegres
Levemente balançam os ramos das árvores
Estou livre
Mas solitário

Estou, aqui, aprendendo
O valor de cad’amigo olhar.

AINDA A VEJO

Ainda a vejo
Com el’ainda sonho

Tenho medo d’encontrá-la
Feliz nos braços d’outro

A praia na qual tanto nos amamos
Só dela me faz lembrar

As árvores que a casa dela m’indicavam
Agora só dela me fazem lembrar

Tanta coisa naquela praia há
Que dela me faz lembrar
Que quero, às vezes, de lá fugir!

Sobre el’agora escrevo
Porém nela não quero pensar
Escrevo apenas para tentar
Ver se a esqueço
E vivo.

O HIPNOTIZADOR MOVIMENTO DOS CABELOS TEUS

O hipnotizador movimento
Dos cabelos teus
O iluminado sorriso
Qu’em tua boca nasce
Ou este teu olhar
Um convite p’r’amar
Não são o mais importante
Sei bem

Sei que é a afinidade
O bem-querer, o amar
O realment’importante

Achar-te bela posso eu
Mas isso já todos fazem

Conhecer o que além
Destes olhos há
Teus anseios e temores
Teu modo de ser e de amar
Só isso quero eu.

AH MINHA GURIAZINHA

Ah, minha guriazinha
Ah, minha mulher
Minha pequena grande mulher
Eu te amo
Mais do que pensas

Eu já em ti pensava
Eu já em ti reparava
Muito antes de me visto ter
De me notado ter

Eu via deslumbrado
Este modo espontâneo teu de ser
Este sorrir gostoso de criança
Este não-medo de viver

Ainda hoje pergunto-me eu
Como podes tão encantadora ser
E ao mesmo tempo me querer.

NUMA FRIA NOITE

Numa fria noite,
Quando da vida
Nada mais esperava,
Encontrei uma flor.

Bela como as azuis borboletas
Na densa mat’a voar,
Encantadora com’os flamingos
No lago a dançar.

Se me olhou,
E o que de mim pensou,
Não sei.

Mas que meu peito vibrou
Qual um tambor,
Isso eu sei.

EU MORAVA LÁ

Eu morava lá
Mas vim pra cá

Dizem que aqui é mais perigoso
E mais violento
E que o trânsito é caótico
E que ninguém se conhece

Mas aqui
Tem livrarias a perder de vista
Restaurantes para todos os gostos
Pessoas muito interessantes para conhecer
Boas escolas e faculdades
Muitas belas mulheres
E muito mais

E na verdade
Isso tudo que falam
Mais falam aqueles
Que aqui não moram.

O HOMEM CONCRETO

Entre pedaços de concreto
Entre frias paredes
Empilhados como em aquários
Tristes como em cativeiros

Não vêem florestas
Não vêem campos
Não vêem o céu

Vêem muros
Vêem paredes
Vêem concreto
Vêem asfalto
Vêem concreto

Vida cinza
Vida morta
É a maravilhosa vida
Do homem concreto.

MULHERES MUITAS NO MUNDO HÁ

Mulheres muitas
No mundo há

Vontade muita
De amar e amar

Quantos sorrisos
Olhos e bocas

Nucas e ombros
Peitos floridos

Quanta beleza
Na vida há

Quantas mulheres
Feitas p’r’amar.

POEMA NAD'A VER D'ÔNIBUS

Eu iscrevu
Eu falu
Assim
I nãu daqueli jeitu

U meu falar
Não é u falar
Du qu’iscritu istá

Quandu iscrevu
Iscrevu nãu comu falu
I quandu leiu
Leiu nãu comu iscritu istá
Mas sim comu falu

Si noutra épuca
Vivessi eu
Doutru modu iscreveria eu
Mesmu qui u mesmu pensassi
I talvez mesmu qui
Da mesma forma falassi

As letras
Das palavras
Foram também
Para brincar feitas

Possu corretament’iscrever saber
Mas mesmu assim
Desti jeitu erradu
Iscrever
Só p’ra brincar

Iscrever?
Ou iscrevê?
Tantu faiz
A idéia é a mesma

As palavras podim
Di distintas formas
Iscritas ser
Podim até di outras formas
Faladas ser
Todavia
Su’essência poucu ou nada muda

Si falu
Eu ti amu
Ou
Eu te amo
Poucu muda
Ou nada muda

Quem dir-mi-á
Cum certeza
Qui num dadu futuru
Alguéim assim nãu iscreverá?

Eu falu mãi
Comu outrora s’iscrevia

Nãu falu mãe
Comu hoji s’iscrévi

A verdadi
É qui esta língua mudará
Lentamenti i di tal modu
Qui talvez um dia
Meus outros escritos
Intender nãu mais posssam
E que apenas com àjuda
Dum istudiosu
Qui traduza us versus meus
Intender-mi entãu possam

A minha língua
A língua portuguesa
Brasileira
Gaúcha
Portualegrensi
Viva istá
Tal comu as línguas antigas
Di outrora

Quem saberá
Se esta língua não morrerá
Ou a quantas outras
Origem dará?

Morrer?
Da forma comu istá
Nãu por mais muitu permanecerá
Basta um séculu atrás olhar

Transformar-si-á
I muitu
Cum tod’a certeza
Mas, morrer?
Queim saberá?

Dum modu
Ou de outro
Tantu faiz
Amo estas palavras
Qui di diversas formas
Posso eu escrever

Amu esti atu magníficu
Di cum letras simplis
Palavras e frases criar
Sentimentos e pensamentos traduzir

Escrever?
Ou iscrever?
Ou escrevê?
Ou iscrevê?

Tantu faiz

O que faço
Nãu muda

Mudam apenas
Letras.

OS OLHOS TEUS SÃO GRUTAS ESCURAS


Os olhos teus
São grutas escuras
De calmas águas
E de afiados cristais

Os olhos teus
São redemoinhos
Por onde s’esvai o meu ser
E de onde brota o amor

Por isso hoje eu só queria
Falar contigo qualquer coisa
Perguntar se faz sol ou faz chuva
Pois o que eu queria mesmo
Era olhar
Olhar p’ros olhos teus